3 de junho de 2023

Tony Garcia revela que foi instruído por Moro a forjar prova contra José Dirceu em entrevista a Veja

 

O empresário e ex-deputado estadual Tony Garcia afirmou nesta sexta-feira (2), em entrevista exclusiva ao Boa Noite 247, que foi coagido pelo ex-juiz suspeito e atual senador Sergio Moro (União Brasil-PR) a forjar informações à revista Veja que pudessem comprometer o ex-ministro José Dirceu (PT). A entrevista foi concedida em 2006. Em 2012, Dirceu foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal no âmbito da Ação Penal 470, o chamado Mensalão, com voto da ministra Rosa Weber, que tinha Sérgio Moro como juiz auxiliar.

o jornalista Leonardo Attuch questionou: "nesta entrevista (à Veja), você dizia que o José Dirceu pagava o mensalão do PMDB. Você foi coagido pelo Moro, pelo Carlos Fernando a dizer aquilo?". "Fiz", respondeu Tony Garcia. O empresário contou o que ouviu do repórter de Veja. "Esse repórter me ligou e disse 'sou da Veja e vim fazer uma entrevista com você a respeito do PT. Eu preciso estar com você. Você sabe quem me pediu para fazer essa entrevista. Vou poder fazer a entrevista de duas maneiras: ou com viés bom pra você ou contrário a você se você não quiser dar entrevista. Acho que isso (segunda opção) vai ficar ruim pra você'".

Garcia destacou os esforços de Moro e aliados para prejudicar o Partido dos Trabalhadores. "O que eles botavam na minha boca... para buscar coisas contra o PT, para tirar o Lula da eleição. Fui instado a procurar coisas contra o PT através do Eduardo Cunha, que era meu amigo. Uma perseguição clara (contra o PT)", disse. "Grande parte do estou falando, eu falei pra Gabriela Hardt. Eu denunciei, e nada acontece. Ela engavetou. O Brasil tem que passar isso a limpo. Eles (senadores) tinham de fazer uma CPI da Lava Jato", acrescentou.

O delator destacou os esforços de Moro e aliados para prejudicar o Partido dos Trabalhadores. "O que eles botavam na minha boca... para buscar coisas contra o PT, para tirar o Lula da eleição. Fui instado a procurar coisas contra o PT através do Eduardo Cunha, que era meu amigo. Uma perseguição clara (contra o PT)", disse. 

"Grande parte do estou falando, eu falei pra Gabriela Hardt. Eu denunciei, e nada acontece. Ela engavetou. O Brasil tem que passar isso a limpo. Eles (senadores) tinham de fazer uma CPI da Lava Jato", acrescentou. 


Veja a íntegra da entrevista em que Tony Garcia também cita o advogado Roberto Bertholdo:

 - Como o senhor soube que Bertholdo pagava o mensalão do PMDB?

 - Ele me falava que tinha encontros semanais em São Paulo com pessoas que operavam essas coisas com o PMDB.

 - Com quem eram os encontros?

 - Com Delúbio Soares, Silvio Pereira e Marcelo Sereno. Ele me dizia que falava mais com o Silvio Pereira e o Delúbio.

 - O Marcos Valério não aparecia?

 - Bertholdo nunca falou dele. O Valério não era fonte dele. Ele dizia que a fonte dele era mesmo a direção do PT.

 - Onde eram os encontros?

 - Em escritórios ou hotéis. O Meliá era um deles. O escritório era o do Silvio Pereira. Ele tinha um escritório fora da sede do PT. Bertholdo tinha reuniões quase que religiosamente às segundas-feiras.

 - O que acontecia nos encontros?

 - Bertholdo dizia que tratava de indicações políticas do PMDB para o governo e também pegava recursos para fazer acertos dentro do PMDB. Ele dizia que apanhava o dinheiro, em espécie, em São Paulo, e depois o transportava a Brasília em jatos particulares ou alugados. Voava pessoalmente com dinheiro vivo. Muitas vezes estava acompanhado do assessor, Guilherme Wolf. O Bertholdo nunca andava com menos de R$ 50 mil, R$ 100 mil em dinheiro. Ele falava que era para fazer coisas eventuais, atender um ou outro.

 - O senhor sabe quantos deputados do PMDB recebiam dinheiro de Bertholdo?

 - Ele deixava claro que eram mais de 50 deputados do PMDB. Mas nunca falou em nomes e eu nunca perguntei porque não era do meu interesse. Os dirigentes maiores do partido, como Michel Temer, eu sei que não participavam, até porque estavam se afastando do governo. Ele só dizia que cada deputado tinha um preço. Havia uns que custavam R$ 10 mil, outros que custavam R$ 15 mil, outros R$ 20 mil, outros R$ 100 mil, outros R$ 200 mil. Que dependia do grau de importância do deputado e das matérias votadas.

 - Onde o dinheiro era entregue aos deputados?

 - Numa sala ao lado da liderança do PMDB na Câmara, quase sempre à noite. Ou então numa casa que ele alugou no Lago Sul e onde fazia festas para membros do PMDB, PT, ministros... Ele dizia que houve festa até com a presença do presidente da República.

 - Mas nunca citou os deputados do mensalão?

 - É fácil saber. Basta ver quem eram os deputados do PMDB que votavam com o governo. Quanto mais polêmicas eram as matérias em votação, e quanto mais o PT deixava de cumprir os compromissos acertados, mais as coisas se complicavam. Bertholdo me dizia que a única maneira de resolver era com dinheiro vivo.

 - Então era dinheiro em troca de voto favorável aos projetos de interesse do governo?

 - Não só projetos. Ele me disse que levantou R$ 8 milhões junto ao PT para fazer do José Borba líder do PMDB, por exemplo. E tempos depois, quando a turma do Anthony Garotinho destituiu o Borba, ele me disse que gastou outros R$ 6 milhões pagando a deputados do partido para o Borba voltar a ser líder. O caso do "Ratinho" também não é projeto. Bertholdo me contou uma vez que, junto com o Delúbio, estava negociando o apoio do Ratinho ao governo. Depois de um tempo, numa conversa por telefone, ele me disse o seguinte: "Lembra do negócio do Ratinho? Já deu certo. Está fechado. Teu amigo é f... Prestei o maior serviço ao presidente. Inclusive o Ratinho vai ajudar o PT em outras coisas no programa dele".

 - Bertholdo chegou a dizer se pagou R$ 5 milhões ao Ratinho?

 - Nesse caso, ele nunca falou em pagamento. Só falou que tinha ido ao Ratinho, aproveitando a amizade que o Ratinho tem com o Borba, porque queria trabalhar isso para o PT.

 - O dinheiro que Bertholdo manipulava vinha todo dos contatos dele com a cúpula do PT em São Paulo?

 - Não, Bertholdo me falou várias vezes que também tinha dinheiro que vinha de Itaipu. O dinheiro para as campanhas no Paraná ele me falava que vinha de empreiteiros com contratos com Itaipu. Depois que ele assumiu o cargo de conselheiro de Itaipu, em 2003, várias vezes narrou para mim e para o seu então sócio, o Sérgio Costa, como ele tentava influenciar e cobrar dívidas antigas para credores de Itaipu.

 - Como era?

 - Ele dizia que o Samek era ligação forte dele. Mas que o Samek tentava fazer negócios sozinho ou com o Paulo Bernardo e que às vezes deixava ele fora da coisa. Mas que andava se enfronhando no esquema, estreitando relacionamento com o Samek. Tempos depois, o Samek passou a viajar com o Bertholdo nos jatos que ele locava para se deslocar de Foz do Iguaçu a Curitiba e Brasília.

 - O senhor viu os dois juntos?

 - Nunca, mas era isso o que Bertholdo propagava. Ele também tinha um relacionamento muito estreito com o José Dirceu. Eu mesmo ouvi duas conversas do Bertholdo com o José Dirceu. Uma delas ocorreu num aparelho de rádio Nextel. O relacionamento dele com José Dirceu era tão próximo que, uns 20 dias depois que o Waldomiro Diniz deixou o governo, o Bertholdo me disse que tinha sido convidado para assumir o lugar do Waldomiro Diniz... Eu ainda falei: "Vai sair um cara para entrar outro e ser queimado e jogado aos leões". Uma semana depois, ele voltou de Brasília e disse: "Vou operar isso por fora. Tenho muito mais liberdade assim". Ele efetivamente tinha um relacionamento estreito com a cúpula do PT e com a base do governo. Ele me disse que até operava contas do PT no exterior.

 - Onde?

 - Ele me disse que operava contas do PT, com doleiros, em Luxemburgo. Em 2003 e 2004, por exemplo, ele foi duas ou três vezes a Luxemburgo. O passaporte dele foi aprendido pela Polícia Federal. O registro deve estar lá. Ele me disse que um dos doleiros do PT era o Toninho Barcelona. Ele me falou isso numa conversa por telefone, no ano passado. Tenho certeza de que está gravado e está com a Polícia Federal.

2kShares
whatsapp sharing button
facebook sharing button
sharethis sharing button

Assine o 247

2 de junho de 2023

Zanin se transformou em herói da luta democrática ao enfrentar o autoritarismo de Moro


 Indicado por Luiz Inácio Lula da Silva para o Supremo Tribunal Federal (STF), o advogado Cristiano Zanin Martins, 47 anos, ganhou notoriedade nacional pela defesa que fez do atual presidente da República durante as investigações da operação Lava Jato, após uma carreira discreta concentrada em litígios empresariais.

Formado em Direito na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) em 1999, o indicado ao Supremo chegou ao posto de principal advogado de Lula por um elo de família. Ele tem como sócia em seu escritório a esposa, Waleska Zanin Martins, com quem tem três filhos. Waleska é filha de Roberto Teixeira, compadre de Lula e que há décadas atuava como advogado do ex-presidente.

No posto de defensor do petista, Zanin derrubou uma a uma as ações na Justiça contra ele, inclusive a mais importante delas, liderada pelo então juiz da Lava Jato, atual senador Sergio Moro (UB-PR).

Sua principal linha da defesa de Zanin, que ele chegou a apresentar em foros internacionais, foi apontar que Moro era parcial, e tinha objetivos políticos ao mirar Lula.

O advogado martelou que Lula era alvo de "lawfare", termo que mistura as palavras lei e guerra em inglês e define o "uso estratégico do Direito para fins de deslegitimar, prejudicar ou aniquilar um inimigo” – na cruzada, Zanin lançou livro do tema, até então pouco debatido no Brasil.

1 de junho de 2023

Governo tem vitória com as pautas no Congresso e no Supremo

 

Lula e Cristiano Zanin

A despeito das previsões catastrofistas, o governo Lula obteve uma grande vitória na Câmara dos Deputados, ao aprovar a Medida Provisória com a nova estrutura ministerial, por larga maioria de votos: 337 a favor e 125 contra – o que indica que a articulação política do governo, desta vez, funcionou. Também no dia de ontem, o presidente Lula recebeu o advogado Cristiano Zanin Martins no Palácio do Planalto e confirmou à ministra Rosa Weber, do Supremo Tribunal Federal, que fará sua indicação nesta quinta-feira à vaga que era do ministro Ricardo Lewandowski. O que significa que o governo Lula está tendo vitórias simultâneas na relação com o Congresso e com o Poder Judiciário.

Fonte: 247

31 de maio de 2023

Funcionalismo público da Prefeitura de Água Nova já está com Salários na conta

 

A Prefeitura Municipal de Água Nova, por meio da  Secretaria Municipal de Finanças, depositou nas contas dos servidores públicos municipais,nessa quarta-feira, 31/05 o pagamento da folha de todos os servidores do município, do mês em curso. 

Além disso, também foi depositado o décimo terceiro salário de 2023 a todos os funcionários efetivos que aniversariam em Maio.

Esse é  um compromisso da Gestão pública Municipal, em prol dos aguanovenses, firmado e cumprido pela  administração pública municipal de Água Nova RN.

Mantendo assim, todo o funcionalismo rigorosamente em dia no mês trabalhado, como também, todas as contas públicas da prefeitura Municipal.

30 de maio de 2023

Mais de R$ 206 milhões foram lavados por Pastor através de igrejas e imóveis é o que diz o MPRN

 

Um relatório divulgado pelo Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN) revelou detalhes sobre as atividades criminosas de um pastor associado ao Primeiro Comando da Capital (PCC) no estado. Valdeci Alves dos Santos, conhecido como “Colorido”, liderou um esquema de lavagem de dinheiro que movimentou mais de R$ 206 milhões ao longo de 18 anos. O dinheiro ilícito foi utilizado para adquirir imóveis, fazendas, rebanhos bovinos e até mesmo com o uso de igrejas.

“Colorido” desempenhava um papel elevado no PCC e fugiu da prisão em 2014, permanecendo foragido até ser capturado em 2022. Ele e outros membros do grupo agora enfrentam acusações de lavagem de dinheiro e formação de quadrilha.

O relatório afirma que, durante o período de 2009 a 2021, Valdeci e outros membros ocultaram a origem e a propriedade de valores provenientes de atividades criminosas, especialmente o tráfico de drogas, por meio da aquisição de imóveis, distribuição de dinheiro em espécie, fracionamento de depósitos não identificados e pagamento de contas.

A investigação, denominada “Operação Plata”, foi deflagrada em fevereiro deste ano e abrangeu o Rio Grande do Norte, São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Santa Catarina, Bahia, Ceará e Paraíba.

Agora RN

 

29 de maio de 2023

Na tentativa de comprar votos, Bolsonaro deixou calote bilionário na Caixa


Após ver que a criação do Auxílio Brasil não havia gerado o efeito esperado nas pesquisas da eleição de 2022, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) decidiu dobrar a aposta e criar duas linhas de crédito na Caixa Econômica Federal para tentar buscar os votos das pessoas mais pobres. No entanto, a estratégia não deu certo e ele acabou deixando um calote bilionário nas contas do banco.

Em 17 de março de 2022, Bolsonaro e o então presidente da Caixa, Pedro Guimarães, assinaram duas medidas provisórias. A primeira delas criava uma linha de microcrédito para pessoas com nome sujo. Já a outra liberava empréstimos consignados ao Auxílio Brasil.

No total, até a eleição, o banco estatal liberou R$ 10,6 bilhões para 6,8 milhões de pessoas. Vale destacar também que a “estratégia” custou a queima de reservas da Caixa. No último trimestre de 2022, o índice de liquidez de curto prazo chegou ao menor nível já registrado pelo banco.

De acordo com o UOL, que teve acesso a informações mantidas em segredo pela Caixa, a instituição financeira foi usada como uma ferramenta de campanha de Bolsonaro, por meio de manobras obscuras e sem transparência.

Jair Bolsonaro e Pedro Guimarães – Foto: Reprodução

No final do ano eleitoral, o montante chegou a R$ 162 bilhões, R$ 70 bilhões a menos que no ano anterior. É o volume mais baixo da série histórica, iniciada em 2017.

Em dezembro de 2022, Rita Serrano, quando ainda era representante dos funcionários no conselho de administração da Caixa, criticou o movimento realizado pelo banco. “O grande problema da diminuição da liquidez foi justamente a execução pelo banco [Caixa] de programas orientados pelo governo federal, tais como o microcrédito e o consignado do Auxílio”, disse.

“Eu entendo que essas ações que o banco executou para o governo federal são controversas e foram claramente usadas antes da eleição com objetivos bastante questionáveis. Esse é o grande problema e será herança para o próximo governo”.

Nos dois últimos meses do ano, após a derrota do ex-capitão, a Caixa cortou radicalmente novos créditos. O novo movimento foi a espécie de um “plano de contingência sigiloso” para recuperar a liquidez.

Participe de nosso grupo no WhatsApp,clicando neste link
Entre em nosso canal no Telegram,clique neste link
DCM

28 de maio de 2023

Eleições na Turquia nesse domingo é notícia nos principais jornais do mundo

 

Neste domingo (28), todas as atenções estarão voltadas para as eleições na Turquia. Após um primeiro turno acirrado, o presidente Recep Tayyip Erdogan obteve 49,5% dos votos contra o líder do Partido Republicano do Povo (CHP, na sigla em turco), Kemal Kilicdaroglu, que ficou com 44,9%, O candidato da oposição é o primeiro a ameaçar a permanência de Erdogan no poder — que já dura 20 anos. Apesar do atual presidente chegar no segundo turno em vantagem, sobretudo após o anúncio do apoio do candidato ultranacionalista que ficou em terceiro lugar, Sinan Ogan, nada está decidido nas eleições turcas.

Mas a incerteza sobre o futuro da Turquia não se resume à política interna do país. No plano internacional, quem observa atentamente os desdobramentos da votação é a Rússia.

A Turquia hoje ocupa uma posição singular no contexto da guerra da Ucrânia. O país não aderiu às sanções do Ocidente contra Moscou e exerceu o papel de mediador no conflito, junto à Organização das Nações Unidas (ONU), no acordo sobre a liberação da exportação de grãos. Ao mesmo tempo, a Turquia apoia a integridade territorial da Ucrânia e fornece drones para o país.

Além disso, o país também ratificou a adesão da Finlândia à Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), indo na contramão dos interesses russos – o bloqueio à entrada da Suécia na Aliança permanece. Aliás, a questão da expansão da Otan ilustra bem o caráter pragmático da política externa de Recep Erdogan. Com um histórico de boas relações com o presidente russo, Vladimir Putin, o líder turco soube aproveitar a posição de membro da organização militar para aumentar o seu poder de barganha.

A hesitação em aprovar a candidatura dos países nórdicos à Aliança do Atlântico Norte foi justificada pelo suposto apoio que ambos os países oferecem ao Partido dos Trabalhadores do Curdistão, o PKK. O grupo luta pela autonomia dos curdos na Turquia e é classificado como organização terrorista pelo Estado turco, EUA e União Europeia.

Em recente entrevista à CNN, divulgada no último sábado (19), Erdogan reforçou as boas relações com a Rússia e a oposição às sanções do Ocidente.

“Não estamos em um ponto em que imporíamos sanções à Rússia como o Ocidente fez. Não estamos sujeitos às sanções do Ocidente. Somos um Estado forte e temos uma relação positiva com a Rússia [...] Rússia e Turquia precisam um do outro em todos os campos possíveis”, afirmou.

Relações entre Putin e Erdogan

Analistas têm consenso sobre o caráter “personalista” da atual interação entre Rússia e Turquia. Para o diretor do Centro Russo para o Estudos da Turquia, Yuri Mavashev, hoje as relações entre Moscou e Ancara são, na verdade, as relações entre Putin e Erdogan. “Alguém pode considerar que esse é o ponto forte das nossas relações, mas eu não acho, considero que é o ponto fraco, pois isso diz sobre a não maturidade da interação, pois no primeiro momento em que um dos líderes sair do poder, as relações são prejudicadas”, diz ele em entrevista ao Brasil de Fato

Mavashev comenta que é compreensível a lógica muito disseminada na mídia russa de que uma eventual mudança de governo da Turquia pode desestabilizar a importante parceria entre Putin e Erdogan.

“O Kremlin realmente tem medo de que a oposição chegue ao poder, com quem terá que negociar quase tudo do zero. Talvez não totalmente, tem o gasoduto turco, alguma coisa deve se manter. Mas as regras do jogo terão que ser negociadas e acordadas do zero”, analisa. 

Ao mesmo tempo, o diretor do Centro Russo para os Estudo da Turquia corrobora com a ideia de que é errônea a percepção tão polarizada das eleições turcas em relação à Rússia. 

“A questão é que nos encontramos em uma interessante bolha informacional, fomentada também pela mídia russa, que emprega muitos esforços para considerar e classificar Erdogan como pró-russo e o seu oponente como anti-Rússia e pró-Ocidente”, afirma. 

“É preciso lembrar da entrada da Finlândia na Otan. Quem assinou os documentos sobre o ingresso da Finlândia na Otan? Nenhum deputado votou contra, nenhum, nem do partido do governo, e alguns deles poderiam ter votado para pelo menos demonstrar aos EUA e à Otan que a Turquia tem uma posição singular, isso poderia ser feito. Mas veja que não, todos votaram por unanimidade, e Erdogan assinou, não foi a oposição”, argumenta.

O líder da oposição, Kemal Kilicdaroglu, por sua vez, tem mostrado cautela em se posicionar sobre política externa, mas já mostrou inclinação para melhorar a relação com o Ocidente, buscando romper com a diplomacia personalista de Erdogan e redirecionar a relação com Moscou para ser “orientada pelo Estado”.

Posicionamento de candidatos sobre a Rússia

Nas vésperas do primeiro turno, ele chegou a acusar a Rússia de interferir nas eleições do país através da disseminação de conteúdo falso favorável ao atual presidente. “Queridos amigos russos, vocês estão por trás das montagens, conspirações, conteúdo falso profundo e fitas que foram expostas neste país ontem […] Se você deseja a continuação de nossa amizade depois de 15 de maio, tire as mãos do Estado turco”, disse Kemal no Twitter.

Ao mesmo tempo, o candidato da oposição também demonstrou ambiguidade e acenou que quer desenvolver uma relação positiva com Moscou e ter uma relação amigável com Putin. É o que aponta o Jornalista especialista em Oriente Médio, Ruslan Suleimanov. Ao Brasil de Fato, ele afirma que, em caso de uma vitória de Kilicdaroglu, ele não deve “rever significativamente as relações com a Rússia, mesmo com toda a pressão, que com certeza virá da Otan, dos países do Ocidente”. 

“Eu não espero muitas mudanças nas relações entre Rússia e Turquia, nem no caso de vitória de Erdogan, nem do Kilicdaroglu”, afirma. De acordo com o analista, certa estabilidade nas relações deve se manter sobretudo por conta da parceria econômica entre os dois países. 

No final de 2022, a Rússia tornou-se o principal exportador para a Turquia, ultrapassando a China. O volume das exportações russas totalizou US$ 58,8 bilhões - um aumento de 103% em relação a 2021, segundo o serviço de estatísticas da Turquia.  A incógnita que fica é o grau de aproximação que um possível novo governo da Turquia pode ter com o Ocidente. Segundo o Ruslan Suleimanov, o Ocidente quer ver um presidente previsível. 

“Nesse sentido, Kilicdaroglu indica que pretende desenvolver as relações com o Ocidente sem prejudicar as relações com a Rússia. É claro que haverá uma pressão sobre Kilicdaroglu se ele for presidente. É claro que ele pode ser inclinado a adotar certas restrições, sanções, em relação à Rússia. Mas eu não compartilho da ideia de que ele pode adotar uma mudança radical em se juntar às sanções à Rússia.

Edição: Patrícia de Matos

Comunicamos que estamos em manutenção

  Estamos melhorando a roupagem do Blog !  Em breve estaremos de volta . Agradecemos   compreensão !